segunda-feira, 26 de junho de 2017

Maçonaria: Novo post em BIBLIOT3CA.

O Esplendor da Maçonaria Imperial.
Com as duas décadas que precederam a Revolução e a Terceira República, o Império foi, sem dúvida, uma época de ouro para a Maçonaria. O Grande Oriente reunia 300 Lojas em 1804, mais de 600 em 1808 e 1200 nos 130 departamentos franceses do Grande Império no início de 1812! Além disso, com Cambacérès, Murat, Masséna, Lacépède, Kellerman, Lannes, Regnault de Saint-Jean d’Angely, etc. a direção da obediência quase se confunde com o governo de Napoleão. No entanto, esta presença maçônica maciça no Primeiro Império foi muitas vezes subestimada. Por muito tempo, os historiadores maçônicos ou aqueles do Primeiro Império queriam ver apenas um fenômeno superficial, sem significado real. Ou eles apresentavam a Maçonaria imperial como a fantasia de uma burguesia que finalmente surgira sem grande importância política, e citavam esta frase de Napoleão, provavelmente apócrifa, ironizando sobre a chanceler presidindo os banquetes maçônicos com a mesma seriedade que as sessões do Conselho de Estado. Ou eles pintavam o retrato de uma Maçonaria rigidamente controlada pela temível polícia de Fouché e o período napoleônico representava então na história santa da República, apenas os anos em que a mola se comprimia na aurora do século das Revoluções. De fato, os historiadores são também cidadãos com a sua sensibilidade política e a prosperidade insolente da Maçonaria imperial incomodava a todos: os maçons de uma Terceira República, que foi construída contra Napoleão III, mas também os apologistas do império que tinham finalmente se reunido em um campo conservador marcado pelo antimaçonismo. Se as lojas se engajaram com prazer na pompa do aparato “Império”, e se, naturalmente, a polícia mantivesse um olho neles – como toda a sociedade! – estas categorias interpretativas pareciam, no entanto, redutoras e simplistas. Quando se tenta estudar objetivamente o lugar da Maçonaria sob o Império, descobrimos que as Lojas estão no coração do regime napoleônico. Pai proteja-se à direita; Pai proteja-se à esquerda. Em 1799, o burguês do Iluminismo que fez a Revolução se reúne sem escrúpulos ao general Bonaparte. O Primeiro Cônsul e depois Imperador lhe aparece como garante das conquistas de 1789 sobre os planos jurídico e econômico. Napoleão é um baluarte, tanto contra o retorno dos Bourbons, do “partido padre” e dos Emigrados – que ameaçam o enriquecimento devido à venda dos “patrimônio público” – mas também contra os excessos de 1793 e a pressão das classes populares. Como o filho de Jean, le Bon, a burguesia implora ao Imperador: “Pai, proteja-se à direita; Pai proteja-se à esquerda. ” As classes médias que enchiam as Lojas na década de 1780 recomeçam a praticar a maçonaria a partir de 1800-1802. A partir de 1805, o Grande Oriente testemunha um crescimento considerável. Nos departamentos, a Maçonaria reúne a elite administrativa e a burguesia local. Não é incomum vê-las presididas pelo prefeito do departamento, assistido pelo diretor geral de finanças e pelo presidente do tribunal! Muitas vezes, estes são, de fato, o Venerável, o Primeiro e o Segundo Vigilantes da Loja da capital, a maior parte do efetivo é constituída por funcionários e comerciantes, empresários, juristas… O ministro de Assuntos Religiosos, Irmão Portalis, descreve claramente a situação: “Foi infinitamente sábio dirigir as sociedades maçônicas, uma vez que não as poderíamos proibir. O verdadeiro caminho para impedi-las de degenerar em assembleias ilegais e desastrosas era dar-lhes uma proteção tácita, deixando que fossem presididas pelos primeiros dignitários do Estado … “Assim, Joseph Bonaparte, irmão do imperador iniciado em 1793, tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente. Mas ele deixa muito rapidamente a França para assumir os tronos das Duas Sicílias e depois da Espanha. A direção da obediência é então assumida por Cambacérès, eleito e depois instalado como Primeiro Grão-Mestre Adjunto em 1805. Velho maçom experiente – ele fora iniciado em 1773, com a idade de 20 anos – o Primeiro-ministro de Napoleão assume sua tarefa com convicção e boa vontade. Entre 1805 e 1813, participou pessoalmente de São João de Inverno e São João de Verão, que são, então, as assembleias gerais da obediência. Ele segue de perto os negócios maçônicos e é especialmente ele aquele que, a pedido de Napoleão, organiza a integração da nova e efêmera Grande Loja Geral Escocesa e seu Supremo Conselho no Grande Oriente. Dos grandes do Império até os auxiliares de escritório: Este lugar importante das lojas no seio do Primeiro Império não é uma descoberta dos historiadores. Os contemporâneos tinham muito bem percebido, conforme mostra, entre outros, dois testemunhos. Depoimentos muito mais interessante que trazem um olhar critico que não emanava de Maçons convencidos. Jovem sueco instalado em Paris, o cavaleiro d’Harmensen escreve com humor em 1806: “Tudo é moda em Paris, desde as borlas até a Maç \[…]. As lojas são assim abertas; as grandes personagens trouxeram dali placas e cordões que receberam de todos os países, e nessa confusão de condecorações (porque elas não faltam aos maçons de Paris) é difícil distinguir o que é civil destes penduricalhos aos quais os senhores servidores do Grande Oriente atribuem um preço tão alto. Logo só ouvimos falar que Maç\ e depois os grandes do Império até os auxiliares de escritório, todos se precipitaram em massa nas lojas”. Quanto ao Irmão Massé de Cormeilles, ele pertencia a uma das Lojas mais próximas de Cambacérès e do poder – Saint- Alexandre d’Ecosse – uma vez extintos os fogos da festa imperial, ele relatou: Com frequência, as lojas recebiam pessoas que ali não deviam admitidas, muitas vezes ouvíamos coisas que ali não deviam ser ditas: os grandes recebiam o incenso da adulação; a polidez havia tomado o lugar da franqueza, muitos vinham para ver e serem vistos, os templos eram um local de encontro e a maçonaria um meio de ali estar, havia ali multidões, mas os maçons eram raros”. Entre 1804 e 1814, a Maçonaria constitui uma rede que cobre todo o território. Em cidades grandes, médias ou pequenas, as Lojas reuniam a elite da classe média em torno dos quadros do regime. O Grande Oriente organiza um circuito de informação e de contatos contínuos entre Paris e as províncias. Do centro para a periferia, todos os meses ele envia circulares às oficinas. Além das questões de administração maçônicas, eles podem descobrir quantos grandes nomes do regime estão presentes na obediência. Da periferia para o centro, as assembleias do Grande Oriente permitem aos delegados das Lojas – muitas vezes um Irmão do Oriente vivendo em Paris – de informar a Paris, os sentimentos dessas “massas de granito” – como Napoleão os tinha designado – que são os mais seguros sustentáculos do Império. Sob o Primeiro Império, a Maçonaria “equivalia a um partido bonapartista”, analisa Jacques-Olivier Boudon. Na atmosfera venenosa que segue ao complô de Malet e quando o Grande Exército conhece suas primeiras derrotas, Cambacérès não hesitará – nem uma vez! – em passar do implícito ao explícito e declarar em plena assembleia do Grande Oriente: “Se o Estado estivesse em perigo, eu chamaria ao meu lado todos os filhos da viúva; e com este batalhão sagrado, marchando contra os facciosos, eu provaria ao mundo inteiro que o Imperador não tem súditos mais leais que os maçons franceses”. Depois da Revolução, toda uma parte da burguesia, seduzida pelo Iluminismo e os princípios do liberalismo filosófico, não podia mais ser integrada no sistema político através do catolicismo restabelecido pela Concordata. As Lojas, então, substituem as paróquias para inserir a burguesia Voltairiana no estado napoleônico. Maçons e membros do Governo Imperial; Quase todos os dignitários do Império eram maçons. Para alguns, como Cambacérès, Junot Lacepède, MacDonald, Masséna, Regnault de Saint Jean d’Angely, Ségur … este compromisso era até mesmo um elemento de formação em sua juventude. Amizades, sensibilidades informais dentro do governo, são parcialmente explicadas por uma frequentação comum de Lojas antes da Revolução, quando estes futuros quadros do Império ainda eram apenas jovens que procuram seu caminho na sociedade do Ancien Regime. Um rápido olhar sobre o anuário do Grande Oriente de França entre 1804 e 1815 é suficiente para ilustrar estas ligações estreitas entre o regime napoleônico e a Maçonaria. É difícil encontrar quais membros do governo imperial, não pertenciam paralelamente ao estado-maior maçônico Quadro Geral de Oficiais do Grande Oriente de França GG Pers Dignitaires (extratos) Grão-Mestre: S.M. Joseph Napoléon, rei de Nápoles, e da Sicília, Grande Eleitor do Império. Grão-mestres Adjuntos Sua A.S. o príncipe Cambacérès, Arquichanceler do Império, Grande Cordão da Legião de Honra, Grã-Cruz das Ordens da Águia Negra e da Águia Vermelha da Prússia. Sua A.S o príncipe Murat, Grão-Duque de Berg, Grande Almirante da França. Grande Administrador Geral O T R F Kellermann, Senador, Marechal do Império, Membro do Grande Conselho da Legião de Honra e Cavaleiro das Ordens do Rei de Württemberg. Grandes Conservadores Gerais Os MM RR II Masséna, Marechal do Império, G Cordon Grande Oficial da Legião de Honra. N … Grande Representante do Grão-Mestre, O T R F Valence, Senador, General de Divisão, um dos comandantes da Legião de Honra, Presidente do Colégio Eleitoral do departamento de Marne, e do cantão de Vesy. Grande Loja de Administração Grandes Administradores Os RF De Lacépède, Senador, Grande Chanceler e Grande Cordão da Legião de Honra. Gantheaume, Conselheiro de Estado, Vice-Almirante da França, o Grande Cordão da Legião de Honra. Lannes, Marechal do Império, G. Off. da Legião de Honra. Grandes Conservadores Muraire, Conselheiro de Estado, Primeiro Presidente do Supremo Tribunal, G. Off. da Legião de Honra. Maret, Ministro e Secretário de Estado. Simeon, conselheiro de Estado, um dos Comandantes da Legião de Honra (…) Mas também encontramos Miot e Clemente de Ris Na Grande Loja Simbólica: Choiseul-Praslin, Beurnonville, MacDonald, Fouché, Mareschalchi Beauharnais, Augereau, Jaucourt, Lefevre, Luynes … No Grande Capítulo : Serrurier, Brune, Regnier, Perignon, Soult, Chaptal, La Tour d’Auvergne, Laplace, Regnault de St. Jean d’Angely, Ysembourg, Chasset, Fabre de l’Aude … Ideias e Cultura na Maçonaria Imperial Ao contrário do que se costuma afirmar, a Maçonaria napoleônica não se limitou ao esplendor de ritos e pompa do império. Alguns círculos maçônicos tiveram uma verdadeira atividade intelectual e de pesquisa. Assim, na continuação da Revolução, os maçons desempenharam um grande papel nos primórdios da proteção ao patrimônio cultural. Foi, aliás, o irmão Aubin Millin que criou a ideia de “monumentos históricos”. Em Paris, Alexandre Lenoir desenvolveu o seu Museu de Monumentos Franceses, Denon e Lavallée implementam o Museu do Louvre. Em Toulouse, Alexandre Dumège preserva os “monumentos góticos” da região do apetite dos comerciantes de materiais e reúne as primeiras coleções arqueológicas. O grande lugar da reflexão maçônica é a Academia Celta que – ao lado de concepções celtomaníacas pitorescas, mas marginais de alguns de seus membros – configurará todos os fundamentos da etnologia francesa com o grande levantamento 1806 sobre a vida no campo. Além disso, desde que se procure um pouco, encontram-se trabalhos muito interessantes em certas oficinas, como as coleções Teosóficas concebidas por François-Nicolas Natal na Loja Le Creuset Moral de Orleans ou as sessões de instrução maçônicas organizadas pelo grande filósofo Maine de Biran na Loja de Bergerac. Joseph Fouché, “o olho que tudo vê”. Talvez não seja por razões exclusivamente maçônicas que Joseph Fouché foi nomeado Oficial do Grande Oriente da França em 05 de dezembro de 1804 … e permanece até 1814. Ministro da Polícia, durante 6 meses ele tem assim um olho sobre um ambiente onde os quadros do novo regime são numerosos, mas onde ainda se tolera, a coberto, opiniões as mais relutantes. Ele permanece nas lojas de republicanos não realmente convencidos pelo imperador e alguns monarquistas, tantas razões para restar atento a uma Maçonaria que assume um papel importante no funcionamento do Império, especialmente nas províncias. Golpe de sorte, o ex-seminarista também é também um velho Maçom. Ele fora iniciado alguns meses antes da Revolução, em 1788, na loja Sophie Madeleine Reine de Suède, em Arras, quando ele era professor ali, no colégio do Oratório. Na esteira da Maçonaria depois do Terror, ele se filiou à Loja de Melun Les Citoyens Unis … que se torna sob o Império Les Coeurs Unis de que permaneceu um membro até a queda de Napoleão. A Maçonaria – Auxiliar da Europa Imperial Seja na Itália, na Holanda, na Westphalia ou na Espanha, a Maçonaria desempenha um grande papel nos diferentes “regimes franceses”. Ela reúne a elite da burguesia nacional e liberal sobre a qual queriam se apoiar os novos reinos e os associa aos quadros franceses vindos de Paris. No plano político, as lojas manifestariam apoio incondicional a Joseph-Napoleon, Louis-Napoleon, Joachim-Napoleon e Jerome-Napoleon. Mas, paralelamente, no plano filosófico, elas contribuiriam para difundir as ideias do Iluminismo nessas regiões. Por exemplo, pela primeira vez na Alemanha, eles acolheram judeus em suas fileiras. Após a queda de Napoleão e seus irmãos, a Maçonaria foi meio proibida por toda a Europa como abrigos de ativismo liberal. O Rito Escocês Antigo e Aceito em Majestade A idade do ouro da Maçonaria, o Império é também um período de esplendor para os altos graus. A partir de 1800, as Capítulos Rosa Cruz se multiplicaram. O sistema de “quatro Ordens” definido pelo Grande Oriente pouco antes da Revolução é globalmente bem aceito. No entanto, alguns Irmãos lamentam os graus que não foram retidos pela reforma do Grande Capítulo e particularmente aqueles “além do Rosacruz”. Isto é, sem dúvida, o que explica o sucesso do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito. Este retoma uma antiga escala de altos graus clássica fixada na França na década de 1760. Depois de um desvio pelos Estados Unidos, onde este “Rito de Perfeição” em 25 graus foi aumentado em alguns graus – para chegar a 33 – e dotado de uma estrutura piramidal, ele se implanta em Paris em 1804. Os Irmãos, portanto, poderiam voltar a praticar os graus de Grande Escocês de Santo André da Escócia, Cavaleiro do Sol ou Cavaleiro Kadosh. O Rito Escocês Antigo e Aceito é provavelmente o rito maçônico que foi mais marcado pelo espírito do Império e é o que mais floresceu em sua pompa. Herdeiro dessa Maçonaria escocesa do Sul na qual se banhara Cambacérès em sua juventude, ele será beneficiado com os favores do arqui-chanceler. Um documento raro e valioso recentemente encontrado nos permite levantar o véu e ser quase testemunhas diretas de um dos grandes eventos maçônicos do Império: a instalação de Cambacérès como Grande Comandante do “Supremo Conselho do grau 33 na França”. Eis-nos no coração da Maçonaria do Império! Em sua reunião do 8° dia do 5º mês de 5806 (8 de julho de 1806): O Supremo Conselho foi aberto sob a presidência pro tempore do Ill Soberano Inspetor Geral, Marechal do Império, Kellermann. A sessão especial deste dia tem por objetivo apresentar a Sua Alteza Sereníssima, o Príncipe Cambacérès a deliberação que o eleva ao grau de Soberano \Grande Comandante, e receber sua aceitação e seu compromisso. Os trab.’. foram suspensos e transportados ao Palácio de S.A.S. A delegação foi apresentada a Sua Alteza Sereníssima pelo T.’. Ill Inspetor Geral Tenente Grande Comendador, General Valence. Os membros da delegação são os III Soberanos Grandes Inspetores Ger. O Marechal do Império Kellermann; Presidente de Lacépède; D’Ales Anduze; Renier, do antigo colégio do Doge de Veneza; Pyron, secretário do Sacro Império O presidente da delegação prestou conta de toda a sua atividade e submeteu à Sua Alteza Sereníssima o ato de sua elevação à suprema dignidade de T\ Poderoso Soberano Grande Comendador. O secretário do Sacro Império fez a Sua Alteza Sereníssima a apresentação do grau e das supremas funções às quais ele foi chamado para que ele conhecesse a extensão dos compromissos que iria assumir. Sua Alteza Sereníssima tendo aceitado, o presidente da delegação conferiu-lhe o grau, as palavras, sinais e toques, proclamou-o T\ Poderoso Sob\Grande Comandante. Alteza Sereníssima estabeleceu o dia de sua instalação no 13 dia do 6º mês de 5806. O T III Inspetor Tenente Grande Comandante E os membros da delegação renovaram entre as mãos do Todo-Poderoso Sob \Grande Comandante seus juramentos de fidelidade à Sua Majestade o Imperador e Rei. O T.’. Poderoso Sob.’. Grande Comandante encerrou o Conselho da maneira costumeira. [Assinado:] Cambacérès, Lacépède, Valence, Kellermann Renier, D’Ales d’A, Pyron”. Assim, em 13 de agosto de 1806: O Supremo Conselho foi aberto pelo T.’. Ill T F Thory, Tesoureiro Geral do Sacro Império. O T Ill T F Pyron exercendo as funções de Secretário-Geral do Sacro Império. O T Ill F Hacquet exercendo a de Grande Mestre de Cerimônias. E o Soberano Grande Inspetor Geral Lecourt-Villière. O Capitão dos Guardas anunciou a chegada dos Mui Ilustre Inspetor Tenente Grande Comandante e a de S.A.S. o Mui Poderoso Soberano Grande Comandante O T III Inspetor Tenente Grande Comandante, General Valence foi conduzido ao trono com todas as honras devidas à sua alta dignidade, o Ill Presidente pro-tempore lhe entregou a espada com que estava armado. S.A.S. o Príncipe Cambacérès Mui Poderoso Soberano Grande Comandante foi então conduzido ao trono e colocado sob o dossel destinado a seu supremo poder. O T Ill Inspetor Tenente Grande Comandante apresentou-lhe a espada com que estava armado. O Mui Poderoso Soberano Comandante estando sentado em seu trono soberano, fez sentar-se à sua direita o T Ill Inspetor tenente Grande Comandante, e à sua esquerda o Ill Soberano Grande Inspetor Geral Marechal Kellermann Soberano dos Soberanos do Soberano Grande Consistório da França dos Subl.’. Príncipes do Real Segredo…” Cinquenta e seis irmãos assistiram a esse importante evento maçônico importante, entre os quais D’Aigrefeuille, Bacon de la Chevalerie, Lacépède, Perignon, Mareschalchi, Roettiers de Montaleau e Muraire. Publicado 17 de maio de 2017 em https://www.fm-mag.fr/article/focus/les-fastes-de-la-maconnerie-imperiale-1530 Fonte: BIBLIOT3CA REVISTA TEXTO & TEXTS EDITOR-CHEFE J.FILARDO. Acesso em https://bibliot3ca.wordpress.com/2017/06/06/o-esplendor-da-maconaria-imperial/

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Origem e evolução dos Cargos em loja da Maçonaria e dignidades maçônicas na Grã-Bretanha do Século XVII até Nossos Dias

Por Roger Dachez e Thierry Boudignon. - Tradução José Filardo.
I – OS OFICIAIS DA LOJA, DA ESCÓCIA DE WILLIAM SHAW À PRIMEIRA GRANDE LOJA INGLESA ATÉ 1750. Qual é a origem dos oficiais de uma loja maçônica? Responder a esta pergunta é necessariamente relacioná-la com o sistema primitivo de graus maçônicos e procurar essa origem primeiro na Escócia ao final do século XVII e depois na Inglaterra no início do século XVIII. Lembremo-nos que na Escócia, no século XVII, o sistema de graus consistia em duas etapas: Aprendiz (isto é, um Aprendiz que fez suas provas durante 7 anos em média como Aprendiz registrado) e o Companheiro ou Mestre este último chegando raramente a ser alcançado em virtude de seu custo. Além disso, existiam dois tipos de estrutura nessa Maçonaria Escocesa: uma estrutura civil, administrativa e pública, a corporação ou Guilda de Mestres que governava a cidade e o emprego, e uma estrutura “secreta” específica do ofício, a loja. Estas estruturas, em princípio independentes eram, de fato, complementares, o que causava rivalidades e conflitos. De qualquer forma, a corporação consiste de Mestres, mestres que tinham na loja o “grau” mais alto que se podia conferir, o de Companheiro de Ofício, categoria na qual são recrutados os futuros mestres da corporação. Fica assim claro que o título de “Mestre” não era um grau da loja, mas uma dignidade civil, que era adquirido através de herança, casamento ou até mesmo compra. No início do século XVIII, na Inglaterra, na década de 1720, um novo grau apareceria, o grau de Mestre. É certamente atestado em 1730, na forma em que o conhecemos e a composição desse grau, puramente Inglês, aparentemente, era o resultado da adição de uma lenda ao segundo grau, de Companheiro, de origem escocesa. O novo segundo grau inglês, o de Companheiro “novo estilo” em um sistema agora de três graus, resultou de uma divisão do antigo primeiro grau escocês. Assim, no sistema inglês, o título de “Mestre” tornou-se um grau de loja. Este sistema tem, portanto, a seguinte composição: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom. Mas o termo “Mestre” vai se tornar rapidamente ambíguo, uma vez que designará tanto um grau, “Mestre Maçom” quanto um cargo, o Mestre da Loja (cargo que sabemos ser também um grau) … Os cargos da loja no século XVII: Em uma loja de maçons “operativos” na Escócia, no século XVII, havia um presidente que se chamava “Warden”, etimologicamente “o Guarda” (a tradução como Vigilante impôs-se somente no início do século XVIII). Esse termo, “Warden” ou Guarda é encontrado nas organizações tradicionais do ofício. Na Inglaterra também, embora as organizações de ofício (as “Companhias de Londres”, as guildas londrinas, incluindo a Companhia dos Maçons de Londres, “London Masons Company”) não tinham, naquela época, a importância das suas contrapartidas escocesas, no entanto, elas elegiam um presidente que trazia e ainda traz o título de “Warden”. Ao contrário, nas corporações escocesas, o presidente se chamava “Deacon”, ou Diácono (o enviado) ou, no vocabulário contemporâneo, “delegado geral”. As rivalidades entre a corporação e a loja explicam que, em alguns casos, há também “diáconos” nas lojas. Além dos cargos de “Vigilantes” na loja e o “Diácono” na corporação, não se conhecem outros oficiais na Escócia, embora seja provável que houvesse algum tipo de secretário-tesoureiro o “funcionário”, fora da profissão, mas cuja função era essencial a vida da loja. Os cargos da loja no século XVIII (1717-1723): Quando, onde e como o sistema escocês foi transmitido na Inglaterra até o aparecimento das lojas, depois de uma grande loja, com seus próprios oficiais? Isso ainda é, em parte, um mistério. O sistema da primeira Grande Loja em 1723, era o seguinte: o Título IV das Constituições distinguia os Mestres, os Vigilantes, os Companheiros e os Aprendizes. Aqui o termo “Mestre” não se refere a um grau, que ainda não existia, mas um cargo, o “Mestre da Loja”. Há também um outro cargo: o Vigilante (“Warden”). A hierarquia ou o currículo maçônico assim se estabelecia: somos primeiro Aprendizes, depois Companheiros, grau que é uma qualificação indispensável para se tornar, eventualmente, Vigilante, depois Mestre da Loja, função superior à do Vigilante. Além disso, previa-se que em caso de incapacidade do Mestre da Loja, o “Senior Warden (Primeiro Vigilante)”, isto é, literalmente, “o guarda mais antigo” que o substituía, se não existisse um “ex” Mestre de Loja, e na falta do “Senior Warden,” chamava-se o “Junior Warden” (Segundo Vigilante) ou “o guarda mais jovem”. Note-se que a tradução para 1º e 2º Vigilantes é, na verdade, falha, embora seja consagrada pelo uso. Constatamos assim que se distinguia, que se tratava tanto de Mestres quanto de Vigilantes, o mais velho e o mais novo. Assistimos aqui a origem da passagem de um “Warden” único, para dois “Wardens”? A duplicação de Vigilantes seria então o resultado de se levar em conta a antiguidade no exercício da função, exatamente como existe um “Mestre da Loja” e um “Mestre Instalado” (Past Master). Em suma, em 1723, a loja era presidida por um “Mestre” assistido por dois Vigilantes, o “Senior Warden” e o “Junior Warden”. Mas existiam outros oficiais? O artigo 17 do Regulamento Geral da Grande Loja distingue um Grão-Mestre, um Grão-Mestre Adjunto, Grandes Vigilantes, um tesoureiro e um secretário, os dois últimos cargos parecendo ainda serem exercidos temporariamente. Em relação ao período inaugural 1717-1723, faltam-nos documentos, pois o registro das atas da Grande Loja começa precisamente em 1723, e não foi senão em 1738 que Anderson reconstruiu as atas anteriores. Convém, portanto, manusear esses textos com prudência. De acordo com Anderson, havia em 1717, um Grande Mestre, Anthony Sayer, investido pelos mais antigos Mestres de Loja presentes. Havia também dois Grandes Vigilantes. Esta prática, um Venerável e dois Vigilantes, parece vir das quatro lojas fundadoras da Primeira Grande Loja, e se conservou. Depois de 1730 e do aparecimento do grau de Mestre, foi necessário modificar o conteúdo do Título IV das Constituições. O currículo maçônico torna-se então o seguinte: Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom. Os Vigilantes são escolhidos entre os Mestres Maçons e para se tornar Mestre da Loja, deve-se ter sido Vigilante. A palavra “Mestre”, portanto, designa ao mesmo tempo um grau e um cargo. Os Diáconos: Não há nenhuma menção dos Diáconos antes de década de 1740, isto é, num momento em que os irlandeses começam a se manifestar. Na obra Maçonaria Dissecada de 1730, bem como no manuscrito Wilkinson (circa 1727), não são os Diáconos que recebem o candidato, como na maçonaria inglesa contemporânea, mas o 2o Vigilante. Esta tradição passará então à França e permanecerá no Rito Escocês Retificado. Assim, constata-se que se o cargo de “Warden”, um cargo da loja escocesa, é facilmente implantado na Inglaterra, por outro lado o cargo de “Deacon” ou “Diácono”, um cargo da Corporação levará mais tempo, provavelmente por ser estranho às organizações de ofício inglesas. Assim, através dos Irlandeses e da Grande Loja dos “Antigos” este cargo tomará pé mais tarde na Inglaterra. Mas existe uma relação entre os cargos escoceses e irlandeses? O Telhador ou Cobridor Externo: Desde 1723, na Inglaterra, Anderson, nas Constituições refere-se a um irmão encarregado de guardar a porta da Grande Loja, mas se ele designa a função, ele não a nomeia, o que será feito apenas na década de 1730. No entanto, não é certo que este cargo de Grande Loja já existisse nas lojas. Parece, mais, que o cargo de Cobridor, como talvez outros cargos, seria o produto de uma inovação da Grande Loja que, então, se espalhou pelas lojas querendo imitar a Grande Loja. Este fenômeno também foi observado na França. Neste contexto, a palavra e o cargo de “Tuileur (Cobridor)” aplicados a uma loja são atestados nas primeiras divulgações dos anos 1740, e seu papel na estrutura da loja é bem especificado ali. No entanto, a Grande Loja de Londres começou a se interessar pela estruturação do sistema de cargos nas lojas, pois desde 24 de junho de 1727, ela decidiu, pela primeira vez, que o Mestre e os Vigilantes de todas as lojas, deveriam usar as joias da Maçonaria penduradas em uma fita branca. Em 17 de março de 1731, afirma-se que os aventais de couro bordados com seda branca serão reservados para o Venerável Mestre e os Vigilantes, enquanto a cor dos colares e da seda bordando os aventais dos Grandes Oficiais seria azul, sem especificar a natureza exata deste azul. A partir de 1750, a Maçonaria Inglesa, no entanto, vai conhecer uma situação radicalmente nova. II – EVOLUÇÃO DOS CARGOS DE LOJA NOS “MODERNOS” E NOS “ANTIGOS” ATÉ A UNIÃO DE 1813 Vimos que a estrutura da maçonaria inglesa da década de 1720 deriva globalmente das estruturas da maçonaria escocesa do século XVII. No entanto, não sabemos onde, quando, como e por quem essa transmissão foi feita 1. Por outro lado, sabemos que houve, durante a transmissão, uma série de mudanças, das quais as mais significativas são o fato de que a Presidência da lodja não é mais confiada a um “Warden” ou a um “Deacon”, mas a um “Master of lodge (Mestre de loja)”, e que este presidente é ajudado não por um, mas por dois assessores, os “Wardens (Vigilantes)”. Sabemos, também, que esta nova estrutura (isto é, um Venerável Mestre e dois Vigilantes) vai se impor. Aliás, na década de 1740, é a única conhecida, e é aquela da Grande Loja de Londres. É então que aparece um novo sistema, importado pelos irmãos vindos da Irlanda que tinham, provavelmente costumes, práticas e tradições próprias. Em 1751 e depois em 1753, esses maçons constituem uma nova obediência, a “Grande Loja da Inglaterra segundo as Antigas Instituições”. Como sabemos, esses maçons se auto denominavam “Antigos” porque alegavam ter uma tradição mais antiga que a da GL de Londres, e atribuíam aos membros desta última, entretanto mais antiga que eles o adjetivo pejorativo de “Modernos”. Esta “Grande Loja dos Modernos” é hoje chamada “Primeira Grande Loja”. Em 1772, os “Antigos” elaboraram uma lista de pontos de desacordo com os “Modernos”, em que levantaremos duas questões que são relevantes para o nosso tema: O Venerável Mestre Os “Antigos” reprovavam nos “Modernos” ignorar a instalação secreta do Venerável Mestre, considerada fundamental pelos irlandeses. Isto, na prática, permite o acesso ao grau do Arco Real, um grau que é considerado pela tradição irlandesa como a cúpula da Maçonaria. Esta instalação secreta de que não há praticamente nenhum testemunho antes de 1760 em solo britânico, transmite uma palavra, um sinal, um toque e é de fato uma espécie de super-grau de Mestre. Assim, junto aos “Antigos”, o cargo de Venerável Mestre está relacionado com uma cerimônia que tem a estrutura de um grau: a Instalação. Isso rapidamente se imporá aos “Modernos”. Os Diáconos Os “Antigos” culpavam os “modernos” por ignorar o cargo de Diácono. Lembremo-nos que os “Diáconos” existiam na Escócia, no século XVII nas corporações de ofício, mas não os encontramos na Inglaterra em 1723. São os irlandeses que implantarão o cargo de Diácono na Inglaterra e isso não é surpreendente uma vez que este cargo é claramente atestado em uma loja na Irlanda desde 1733 e, em 1743, durante uma procissão maçônica onde os diáconos desfilaram com uma espécie de bastão ou cana dourada. O cargo de diácono torna-se assim, em 1753, junto aos “Antigos”, um cargo da loja colocado imediatamente na hierarquia de cargos abaixo dos Vigilantes (2). No entanto, a origem desses Diáconos vindos da Irlanda permanece um mistério. De fato, parece não haver realmente nenhuma relação entre o Diácono Escocês (que é único e que dirige a Corporação) e os Diáconos irlandeses (que são dois oficiais secundários da loja), apesar da homonímia aparente (3). Assim é que este cargo, desconhecido dos “Modernos”, vai gradualmente se estabelecer em suas lojas. As divulgações impressas da década de 1760, principalmente originários da tradição dos “Antigos”, certamente contribuíram, de modo que, antes da União de 1813, em 1810 e 1812, já se encontram Diáconos nas lojas dos “Modernos” (4). Estes Diáconos carregam um bastão negro com joias prateadas. O Telhador (Cobridor Externo) Originalmente, este cargo (como outros cargos talvez) era provavelmente uma dignidade específica da Grande Loja. Só então, e provavelmente por mimetismo, ele se tornou um cargo nas lojas. O Telhador (5), além da função de guarda externo da instalação secreta e da ordem das palavras sagradas. Na loja tem por função enviar as convocações aos irmãos, em mãos. Ele deve também traçar o painel da loja (6). O cargo do Telhador evoluirá gradualmente para se tornar uma espécie de zelador da loja mediante uma pequena remuneração, que é sempre o caso na Inglaterra. Ao lado do Telhador apareceu depois de 1813 um Cobridor, tradução mais extensa que “Guarda Interno” ou guarda do interior, cargo que resulta simplesmente da divisão do cargo de Telhador (7). A estrutura da loja depois da União de 1813, emprestou a maioria de suas formas dos “Antigos”. Seja quanto ao vocabulário utilizado, a presença de Diáconos, no lugar dos três oficiais principais (8), os “Antigos” impuseram seus usos aos “Modernos” (9) que, de fato, já os tinham amplamente adotados antes da União. Então, foi nessa época que foi fixado, e até nossos dias, o sistema de cargos e dignidades de loja na Inglaterra. III – AS GRANDES LOJAS PROVINCIAIS Desde meados do século XIX, existem Grandes Lojas provinciais na Inglaterra. Estas Grandes Lojas são dirigidas pelos Grãos Mestres Provinciais (nomeados pelo Grão-Mestre) e os Oficiais provinciais que usam decorações comparáveis às dos Oficiais da Grande Loja Unida da Inglaterra, com a famosa “liga azul,” o azul da Ordem da Jarreteira. As Grandes Lojas Provinciais cobrem todo o país, com exceção da região de Londres administrada diretamente pela GL. Esta particularidade destaca a verdadeira função dessas Grandes Lojas. De fato, para entrar no cursus honorum da maçonaria Inglesa deve-se necessariamente começar pelo escalão provincial. Como os irmãos de Londres não contavam com isso, foi criado para eles no início do século, o “London Rank” e depois o “London Grand Rank,” que são o equivalente exato de uma dignidade de Grande Oficial provincial na jurisdição de Londres. Todos os anos são criados cerca de sessenta “Active Grand Rank” e cerca de 200 “Past Grand Rank ” (10), que envergam, evidentemente, a “liga azul.” Assim, constata-se que os cargos provinciais (ou seus equivalentes) são usados essencialmente para outorgar honras maçônicas (11) a irmãos que, por definição, são todos Past Masters. As Grandes Lojas provinciais, portanto, têm um papel muito mais honorífico que administrativo (12). História das dignidades de Grandes Lojas Provinciais Nas Constituições de 1738, não encontramos nenhuma provisão relativa aos Grandes Oficiais Provinciais (e muito menos aos Grãos Mestres Provinciais), embora saibamos que eles já existiam. Mas o fato de que havia Grãos Mestres Provinciais não significa em absoluto que havia Grandes Lojas Provinciais. A distinção pode ser sutil, mas não deixa de ser real. Os Grãos Mestres provinciais realmente apareceram antes das Grandes Lojas provinciais. Muito cedo na história da Maçonaria Inglesa, nomeavam-se dignatários para representar o Grão-Mestre nas províncias. Estes representantes eram titulares de uma missão que lhes era confiada pessoalmente (eram os Grãos Mestres Adjuntos para as províncias), mas eles não estavam no comando de uma estrutura administrativa regional com que tivessem de se ocupar. Isso de fato permite entender, de passagem, uma expressão ambígua e muitas vezes citada das Constituições de 1738, sobre países estrangeiros: “todas as lojas estrangeiras [isto é, fora da Inglaterra] estão sob o patrocínio do nosso GM, mas a antiga loja da cidade de York e as lojas da Escócia, Irlanda e France (13) e Itália (14) assumindo que tenham sua independência [affecting independency] e seu próprio Grão-Mestre, e que tenham a mesma constituição, os mesmos deveres e as mesmas regras que nós e que elas tenham o mesmo zelo com o estilo da Augusta e o segredo de nossa antiga e honrosa fraternidade”. Este texto nos ensina que na época de Anderson, havia dois tipos de Grão-Mestre. De um lado, havia Grãos Mestres colocados no comando de Grandes Lojas “presumindo sua independência” em relação a Londres e, de outro lado, Grãos Mestres nas províncias inglesas sob o controle do Grão-Mestre da Inglaterra. Esses últimos eram Grãos Mestres intuitu personnae, como pessoa, e, portanto, não estavam à frente de Grandes Lojas provinciais em sentido estrito do termo. Assim, a expressão “affecting independency” não é uma contestação dessa independência por Londres, como alguns autores estimaram imprecisamente, mas a constatação de uma situação diferente da que prevalece na Inglaterra, onde os Grãos Mestres Provinciais dependem diretamente do Grão-Mestre. A primeira referência oficial aos Grãos Mestres Provinciais na Inglaterra encontra-se nas atas da Grande Loja em 1747. Naquela época, na hierarquia das dignidades, eles ficavam depois (15) dos Primeiros Grandes Vigilantes e antes do Grande Tesoureiro. Em 1756, no livro das Constituições chamadas “d’Entick” (1ª edição), definem-se regras específicas relativas aos Grãos Mestres. Lê-se: “O cargo de Grão-Mestre Provincial foi considerado particularmente necessário desde o ano de 1726 [note-se que não se pretende que existissem então Grandes Lojas Provinciais], quando do aumento extraordinário do número de obreiros [ou seja, de homens do Oficio], e suas viagens às vezes a partes mais remotas do mundo, a necessidade de que eles tenham à sua disposição uma autoridade própria”. Isto se dá devido ao afastamento dos irmãos da metrópole que foi criado o cargo de Grão-Mestre Provincial para lhes dar um chefe por delegação. O Artigo II dessas Constituições afirma que “a nomeação deste Grande Oficial é uma prerrogativa do Grão-Mestre que lhe outorga sua delegação”, e que “o Grão-Mestre Provincial assim delegado tem o poder e a honra de um Grão-Mestre Adjunto”. Em 1756, a instituição dos Grãos Mestres Provinciais está bem integrada na maçonaria Inglesa e seu lugar na hierarquia é elevado: o Grão-Mestre Provincial situa-se na terceira posição, logo atrás da Grão-Mestre Adjunto. Note que mesmo neste texto de 1756, não há menção alguma de Grandes Lojas provinciais nem de oficiais provinciais. Ser Grão-Mestre Provincial é especialmente possuir um título equivalente ao de um Grão-Mestre Adjunto. Em 1767, na 4ª edição das Constituições d’Entick, o artigo II é modificado: “O Grão-Mestre Provincial assim delegado fica investido do poder e a honra de um Grão-Mestre em seu distrito particular e tem o direito de usar as decorações de um Grande Oficial, estabelecer lojas em sua própria província e em qualquer reunião pública, de marchar logo atrás do Grande Tesoureiro. Ele também tem o poder de nomear um Adjunto, vigilantes, um tesoureiro, um secretário, um porta-espada, que estão qualificados para usar as decorações de Grandes Oficiais quando eles oficiarem como tal naquele distrito particular, mas em nenhum outro lugar”. Nessa época, começa então a se constituir em torno do Grão-Mestre Provincial, uma equipe de Grandes Oficiais. É o início de estruturação. Nas Constituições “de Noorthouck” de 1784, os Grandes Oficiais são finalmente claramente identificados como elementos essenciais para o funcionamento de uma Grande Loja Provincial. Assim, no período anterior à União de 1813, pode-se distinguir duas fases: a fase de 1726 a 1767, durante o qual há Grãos Mestres Provinciais, sem que se faça alusão às Grandes Lojas provinciais nem a Grandes Oficiais provinciais. a fase de 1767-1813, onde os Grãos Mestres provinciais adquirem o poder de nomear Grandes Oficiais Provinciais. Isso pressupõe uma espécie de Grande Loja Provincial, embora o termo não apareça ainda nos textos. Neste momento, a Grande Loja Provincial não está claramente definida e não tem ainda realmente estrutura nem poder. A partir da União de 1813, a nova Grande Loja Unida da Inglaterra se constitui. As Constituições William (de 1815-1827) precisam então que o Grão-Mestre Provincial “detém [isto é, preside] uma Grande Loja Provincial, pelo menos uma vez por ano”. Mas ainda não se define o que é esta famosa Grande Loja Provincial. Nos anos que se seguiram, as Grandes Lojas provinciais adquirem sua forma definitiva. Elas devem reunir-se uma vez por ano, os Oficiais provinciais passados e ativos devem estar presentes ali, bem como os Veneráveis, os Past Mestres e os Vigilantes de todas as lojas individuais. Uma Grande Loja Provincial aparece como a reunião de Grandes Oficiais provinciais (com poderes imprecisos), as quais se juntam todos os Veneráveis e Vigilantes em seu distrito. Esta prática é muito antiga, como é observado em York, e em Chester desde a década de 1730. Naquela época, alguns Grãos Mestres Provinciais já detinham o equivalente a uma Grande Loja Provincial. Eram, na verdade, reuniões com periodicidade indeterminada ocorrendo dentro da loja mais antiga em operação na região. Nessa reunião, e durante os trabalhos, a loja e os seus oficiais tinham uma função provincial. Note-se que é assim que funcionava a Grande Loja dos “Antigos” durante os três primeiros anos de sua existência. De 1751 a 1753, o que ainda era chamado de “Grande Comissão” (antes de se tornar a Grande Loja dos “Antigos”, considerando que eles não se erigiam como uma “Grande Loja” até que ela tivesse encontrado um irmão nobre para a presidir como Grão-Mestre) reunia-se anualmente em uma loja designada por antiguidade e era presidida pelo Venerável desta loja, que agia como Grão-Mestre pro tempore (16). A organização das províncias é o último ato na evolução das dignidades maçônicas inglesas. A existência desses escalões provinciais não impedia a Grande Loja Unida da Inglaterra de ser muito centralizado e muito hierarquizada. A história dessas Grandes Lojas provinciais mostra bem que se tratava sobretudo no início, de dar dignidades a certos irmãos. Isto é particularmente notório com o caso da região de Londres, onde foram criados a partir do zero um substituto para as dignidades provinciais. As Grandes Lojas provinciais são assim menos um escalão administrativo que um escalão de dignidades intermediário entre as dignidades de uma determinada loja e as da Grande Loja Unida da Inglaterra. Este elemento tardio é certamente devido ao grande desenvolvimento da maçonaria Inglesa no século XIX. Conclusão A formação do sistema de dignidades e de cargos da loja no sistema Inglês é algo complexo e ainda parcialmente obscuro. No entanto, podemos identificar dois fatos importantes. Embora os cargos e dignidades de uma loja inglesa dos anos 1720 fossem fortemente influenciados pela herança escocesa (no vocabulário e na estrutura), o fato é que inovações importantes foram introduzidas (por exemplo, a aparição de dois vigilantes, ou a do diácono). É provável que alguns cargos de lojas particulares (por exemplo, o Tuileur ou Cobridor Externo) já existiam na Grande Loja antes de serem introduzidos em loja. Este relacionamento da Grande Loja e das lojas individuais coloca a questão do status real da Grande Loja fundada em 1717. Era ela uma potência reguladora, ou era simplesmente a reunião de lojas, uma vez que é provável que tenha sido só mais tarde, por volta de 1721-1723, com a entrada da aristocracia na maçonaria inglesa que Grande Loja tornou-se um poder que se impunha às lojas individuais? Assim, os novos cargos, que parecem necessários nestas grandes reuniões, poderia então ser introduzidos naturalmente nas lojas. NOTAS: O sistema escocês ainda está presente no manuscrito Keavan (1714), enquanto que o sistema Inglês é certamente atestado a partir de 1723. Uma parte do papel dos vigilantes na tradição dos “Modernos” foi transferida para os diáconos que se tornam, de algum modo, seus adjuntos. Por exemplo, são os diáconos, e não os vigilantes como na tradição dos “Modernos” que orientam o candidato nas viagens. Recordemos uma vez mais que o diácono escocês é uma espécie de delegado geral, enquanto o diácono irlandês, como o diácono da igreja católica, tem uma função subordinada. Na época da União, em 1813, será reconhecido que o ofício de diácono não é apenas útil, mas necessário. A palavra “Tyler” (Cobridor externo) aparece pela primeira vez na ata da Grande Loja em 1732. Estas funções são encontradas na França, cf. O segredo dos maçons do Abade Perau. O cargo de cobridor é estranho à tradição dos “Modernos”. Por exemplo, no Rito Escocês Retificado, cuja estrutura empresta muita coisa dos “Modernos”, vemos que é o Mestre de Cerimônias que exerce as funções de cobridor. Nos “Modernos”, os dois vigilantes estão no ocidente, enquanto que nos “Antigos”, há um no ocidente e outro ao sul. Pode-se acrescentar a isto, a questão da instalação secreta e a da ordem das Palavras sagradas. Portanto, existem dois tipos de oficiais provinciais: os “Active Grand Officers” e os “Past Grand Officers”. Este último status tem, na verdade, como função recompensar alguns irmãos. Para obtê-lo, não é necessário ter exercido as funções correspondentes. Entretanto, quando se o obtém, desfruta-se dos mesmos benefícios (condecorações etc.) que aqueles que realmente exerceram… E, em teoria, também instalar lojas. Mas, na maior parte das vezes, o GM provincial delega esse encargo ao GM Adjunto, que por sua vez delega aos GM Assistentes que, eles mesmos, o confia aos Veneráveis ​​Mestres da região. A administração local real é conduzida pelas Lojas de Mestres instalados, uma verdadeira estrutura que são clubes regionais de Veneráveis. Sabemos que os três primeiros GGMM da Maçonaria Francesa (o Duque de Wharton, Mac Leane, Lord Derwentwater) eram anglo-saxões. No entanto, não podemos considerá-los “representantes” do GM da Inglaterra pela simples razão de que eles haviam sido eleitos pelos irmãos franceses. Além disso, essas lojas eram provavelmente mais franco-escocesas que franco-inglesas. Esta é a oportunidade de esclarecer que a famosa “GL Inglesa da França”, cara para alguns “historiadores” nunca existiu. Trata-se simplesmente de uma falsificação do Cavaleiro de Beauchaine (ou Beauchesne). A primeira excomunhão de maçons pelo papado veio, entre outras coisas, da presença de lojas na Itália. Lembremo-nos que no protocolo maçônico de costume, são os mais altos na hierarquia que são os últimos. A LNF funciona hoje dessa forma. Fonte:BIBLIOT3CA REVISTA TEXTO & TEXTS EDITOR-CHEFE J.FILARDO. Acesso em https://bibliot3ca.wordpress.com/origem-e-evolucao-dos-cargos-em-loja-da-maconaria-e-dignidades-maconicas-na-gra-bretanha-do-seculo-xvii-ate-nossos-dias/

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Maçonaria no Brasil

Por João Evangelista Martins Terra, S.J. Os inícios da maçonaria no Império Por­tuguês remontam aos tempos do poderoso Sebastião José de Carvalho, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. No Brasil possuímos apenas vagas notícias de maçons avulsos e esparsos em Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, Campos e Niterói, em fins do século XVITI e nos inícios do século passa­do. Mas não havia organização federativa entre essas lojas: algumas se instalaram su­bordinadas ao Grande Oriente de Portugal; outras, ao Grande Oriente da França; e ou­tras, ainda, independentes. No início do século passado, encontra­mos na Capitania pernambucana numero­sas sociedades secretas que recebiam o nome de Academias, como o Areópago, fundada pelo frade Arruda Câmara, a Aca­demia dos Suassunas, a Academia do Para­íso, a Universidade Secreta de Antônio Carlos, a Escola Secreta de Guimarães Pei­xoto, a Oficina de Igaraçu. O Seminário de Olinda, fundado em 1800 por D. Joaquim José da Cunha de Azeredo Coutinho, regalista e maçom (pri­mo do reitor da Universidade regalista e li­beral de Coimbra), produziu todos os líde­res eclesiásticos das futuras revoluções po­líticas, mas em nada contribuiu para a evangelização do povo (J. F. Hauck, in His­tória da Igreja no Brasil, II/2, p. 89). “O Seminário de Olinda tomou-se um ninho de ideias liberais e subversivas. Seus pa­dres professores haviam bebido na Univer­sidade de Coimbra a formação liberal, galicana e regalista. O Seminário acolhia, indistintamente, não somente os jovens destinados à carreira eclesiástica, mas to­dos os que lhe pediam luzes e instrução” (K. Bihlmeyer, P. F. S. Camargo, História da Igreja, III; 1963, pp. 413-415). A turma fundadora do Seminário de Olinda consta­va aí de 133 alunos, sendo 33 seminaristas e 100 de fora. “A longa lista dos estudantes de fora compreende um grupo numeroso de carmelitas, entre os quais, o mais famoso, frei Joaquim do Amor Divino (frei Cane­ca), com vários outros que foram célebres na história da Igreja ou na civil, bem como nas ciências e nas letras” (Mons. S. Leite Nogueira, O Seminário de Olinda, 1985, pp. 208-209). Outro aluno carmelita, céle­bre companheiro de frei Caneca, foi frei José Maria do Sacramento Brayner, chama­do: “Padre dos Couros“, porque usava um gibão de couro como os guerrilheiros, e organizou um batalhão armado conhecido como os “Encouraçados do Pedrão“. “Não causa espanto, diz o Cônego José do Carmo Barata, que, nessa época, os alunos do Se­minário gozassem de todas as liberdades, nada compatíveis com sua formação ecle­siástica e científica, participando ativamen­te de todos os movimentos revolucionários… freqüentando as Academias (lojas ma­çônicas), das quais os seus mestres (sacer­dotes) eram os principais sustentadores.” “O Seminário de Olinda tomou-se o ninho onde se formaram os pioneiros da indepen­dência nacional” (Escola de Heroes, pp. 68-­69). Os seminaristas de Olinda circulavam do Seminário para as lojas, onde, junto com seus mestres, encontravam ambiente pro­pício para debater suas ideologias liberais. “A independência brasileira, escreve Oliveira Lima, foi mais diretamente servi­da no seu preparo pelo Seminário fundado por Azeredo Coutinho. Padres assim polí­ticos não podiam ser sacerdotes de vida canonicamente exemplar. A revolução de 1817 pode se dizer que foi uma revolução de padres formados no Seminário de Olinda” (cf. Escola de Heroes, p. 70). O historiador E. Vilhena de Moraes, no seu livro O Patriotismo e o Clero no Bra­sil, falando sobre o Seminário de Olinda e sua ligação com a maçonaria, comenta: “Com semelhante formação, não admira que rareassem as virtudes próprias do esta­do sacerdotal. Só por um verdadeiro mila­gre deixariam de entrar pelas frestas da doutrina e da ortodoxia desfalecimentos da disciplina e da moral” (p. 20). Nas duas revoluções pernambucanas, a liderança principal encontrava-se nas mãos de padres e frades formados em Olinda. “Na de 1817, havia cerca de 60 padres e 10 fra­des; por isso, com razão continua sendo chamada de Revolução de padres. Na de 1824, naquela do grande, heróico, Frei Ca­neca, havia cerca de 40 padres” (Gilberto Vilar de Carvalho: A liderança do Clero nas revoluções republicanas – 1817-1824, p. 10). “Do Seminário de Olinda para as lojas maçônicas, para as academias ditas literá­rias e, daí, de boca em boca, para o interior, onde os vigários facilmente as aceitavam e transmitiam aos senhores de engenho e aos oficiais de tropas, as idéias revolucionárias iam-se alastrando por toda a província” (op. cit., p. 72). “A grande hora dos padres rebeldes foi em 1817. Dos 310 subversivos de Pernambuco, um quinto eram padres ou fra­des, todos ou quase todos recolhidos à pri­são. Alguns foram executados e dois prefe­riram o suicídio à humilhação do cárcere: o padre Antônio José Cavalcante Lins e o padre João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro. As causas da revolução pernambucana podem ser definidas como um protesto do Norte contra a supremacia do Centro-Sul ou do Sudeste. Esse mesmo protesto repetia-se em 1824, com a Confe­deração do Equador” (Francisco de Assis Barbosa, in O clero no Parlamento Brasi­leiro,I, p. 15). No efêmero governo revolucionário de 1817, o padre João Ribeiro foi eleito go­vernador, mas declinou o convite. Como secretário, foi escolhido o padre Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida e Castro). Ambos tinham sido alunos e eram profes­sores do Seminário de Olinda. Fez parte do governo o Vigário Geral, deão Bernardo Luís Ferreira Portugal, que respondia pelo bispado durante a vacância da diocese (ib. p.17). A revolução de 1824, conhecida como Confederação do Equador,teve como lí­der e ideólogo o célebre carmelita, forma­do no Seminário de Olinda, Frei Caneca. Contou com a colaboração de 40 padres e frades, entre os quais o carmelita Frei José Maria Brayner, que fundou, à sua custa, uma companhia que chegou a reunir 100 homens, apelidada de Companhia dos Cou­raças,porque os seus soldados se vestiam à maneira dos vaqueiros nordestinos, com uniformes de couro. Outro célebre guerri­lheiro foi o padre Bernardo, vigário de Saubara, que arregimentou um batalhão de 400 homens, equipando-os à sua custa, pro­vendo-os de artilharia que ele mesmo ensinou a manobrar (Vilhena de Mores, op. cit., p.23). G. Vilar de Carvalho recorda que as ide­ologias revolucionárias do clero pernambucano eram fomentadas pelo iluminismo e liberalismo que animavam tanto o seminário de Olinda como as lojas maçônicas. Os programas escolares valo­rizavam mais a geometria e as ciências na­turais e econômicas do que a teologia. “No âmbito de uma mentalidade iluminista, não é de admirar que o padre João Ribeiro fos­se um naturalista e que Frei Caneca fosse um geômetra. Para esses padres ‘ilumina­dos’ do século XIX, não havia distinção entre lutar pela pátria ou pela salvação das almas; por sua salvação social e política ou por sua salvação eterna” (A Liderança do Clero nas Revoluções…, p. 65). “No Nordeste, nesse período, os frades eram também famosos como engenheiros, astrônomos, matemáticos, e com isso sabi­am se tomar úteis e necessários.” Todas essas ciências eram estudadas no próprio Seminário de Olinda e daí passavam para as famosas Academias. Nestas, clero e ma­çonaria uniam-se pelo ideal comum do estudo e catequização das idéias liberais. A pri­meira dessas Academias, de onde já em 1801 saía a primeira tentativa de Indepen­dência em Pernambuco, denominava-se Areópago e foi fundada pelo sábio paraibano Arruda Câmara, irmão carmelita, que influenciou decisivamente toda a gera­ção de clérigos de 1817 e de 1824. Do Areópago faziam parte homens eminentes, como os padres João Ribeiro, Antônio Félix Velho Cardoso, João Pereira Tinoco e An­tônio de Albuquerque Montenegro, todos de uma maneira ou de outra participantes ativos na revolução. Em seguida foi criada a Academia do Paraíso, chamada também Academia Suassuna, administrada pelo pa­dre João Ribeiro, que a camuflava aos olhos da polícia do rei sob o nome de escola de desenho. Foi esta a mais importante de to­das e teve em suas fileiras grande parte de clero da cidade, sem contar que diversos vigários do interior a ela eram igualmente filiados. Depois surgiram outras academi­as, sempre com um nome qualquer que es­condia sua verdadeira finalidade de lojas maçônicas. Em todas elas havia sempre pelo menos um sacerdote. O iluminismo chegou ao Nordeste pelas mãos dos padres Oratorianos, aos quais o bispo Azeredo Coutinho tinha confiado a fundação do seu Seminário (A Liderança do Clero nas Re­voluções … , pp. 66-67). “Um autor anônimo da época deixou este testemunho sobre o Seminário de Nossa Senhora da Graça de Olinda, em 1817: que aí os eclesiásticos mostravam ter aprendi­do somente três pontos: 1) duvidar de tudo; 2) aborrecer livros; 3) ignorar os de Teolo­gia” (id., ib.). “Em 1817, a Sé de Olinda estava vacan­te e a jurisdição episcopal dependia do bis­po do Rio de Janeiro, cujo prelado, preocu­pado com aqueles métodos de ensino, já vivia a amaldiçoar o Seminário de Olinda e a praguejar a sua conservação” (id., ib.). Vilhena de Moraes observa que “quase todos esses padres revolucionários estavam filiados à maçonaria. Uma explicação de semelhante hibridismo temo-Ia certamente nas doutrinas deletérias, professadas em Coimbra, e nas quais se abeberaram os in­telectuais do famoso Semiriário de Olinda, preparados assim para todo o gênero de defecções, até uma quase abolição, inconsciente talvez, do seu verdadeiro caráter sa­cerdotal“. “Seria fazer pouco da mentalidade des­ses homens, apontados, aliás, como orácu­los do tempo, reconhecer-lhes, de par com os sentimentos patrióticos, que não contes­to, agudeza de vista para tudo, menos para discernir os intuitos anticristãos e antissociais dos latíbulos maçônicos que freqüen­tavam” (op. cit., p. 24). Aliás, convém notar que muitas dessas lojas foram fundadas por clérigos seduzi­dos, não pelas doutrinas maçônicas, mas simplesmente para terem um ambiente se­creto onde pudessem debater com seguran­ça suas ideologias iluministas, galicanas, liberais e revolucionárias. A doutrina tipi­camente maçônica veio depois, utilizando (enquanto pôde) esse clero liberal para seus propósitos. Vilhena de Moraes continua declarando que se deve “subscrever, sem receio, a ob­servação de Oliveira Lima: padres assim políticos não podiam ser sacerdotes de vida canonicamente exemplar” (ib.). Com efei­to, basta recordar que o mais célebre dos frades revolucionários formados no Seminário de Olinda, Frei Caneca, ordenado com 22 anos, teve três filhas (coisa bastante nor­mal na época, diz J. F. Hauck, História da Igreja no Brasil,11/2, p. 131). Enquanto esteve na prisão, traduziu do inglês a His­tória da Franco-Maçonaria. Como profes­sor de matemática, fez o elogio: “Pela geo­metria conhecemos evidentemente a exis­tência do Supremo Arquiteto do Universo“. Escreveu uma célebre cartasobre a socie­dade maçônica em Pernambuco. Um resumo das idéias políticas de Frei Caneca é feita pelo historiador redentorista J. F. Hauck, na História da Igreja no Bra­sil, II12. Vamos transcrever algumas obser­vações. “Não é difícil achar contradições em seus escritos.” “Frei Caneca é ferino em seu sarcasmo, seja contra seu grande inimigo, Pedro Pedroso, seja contra o Cabido que gover­nava a diocese na “vacância do bispo”. Seu pensamento liberal é ingênuo, quase sem­pre autodidata, sujeito a conclusões conflitantes. Na polêmica contra Pedroso, se mostra racista ridicularizando os pardos e pretos. Desprezava o povo que chamava de “populaça ignorante, imunda e vil canalha, peralvilhos“. Percebe-se aí a influên­cia de um de seus ídolos, Voltaire, o liberal que desprezava o povo, a “vil canalha” que devia ser mantida sob o jugo, como os bois de carro. “É conhecida, diz Frei Caneca, a mes­quinhez de luzes de nosso povo e o respei­to religioso, com que ele olha para os ecle­siásticos, mormente padres e cônegos.” Ao mesmo tempo diz que “o clero não tinha influência, pela falta de riquezas e de lu­zes“. Critica os frades estrangeiros “como os barbadinhos italianos (capuchinhos) e os terésios (um ramo dos carmelitas) de Olinda, que, obedientes a um General em Roma, nunca poderão ser verdadeiros bra­sileiros“. “Os terésios são sagazes e velha­cos; alguém meteu num alambique dois je­suítas para destilar um terésio.” Critica os eclesiásticos que rezam o breviário em la­tim. Das numerosas sociedades secretas exis­tentes no Recife, afirma pouco saber sobre elas, mas critica veementemente a umas como as rosas-cruzes e se mostra tolerante para com outras. Da maçonaria diz ter im­pressão favorável, “estabelecida havia muitos anos na província, apesar das calúnias do clero“. Contudo, afirma que os maçons nenhuma influência tiveram na independên­cia do Brasil. Aproveita o ensejo para criticar os ecle­siásticos, “o fanatismo dos ministros do culto, o interesse que tinham na ignorância do povo e o temor que eles têm de que des­tas sociedades (maçônicas) saiam as luzes para o povo, e com o conhecimento de sua impostura, percam o domínio das almas fra­cas e as oferendas no altar” (História da Igreja no Brasil, 11/2, pp.135-139). Fazendo um balanço da atuação do cle­ro nas revoluções pernambucanas, o histo­riador E. Vilhena de Moraes profere um veredicto bastante severo: “Triste condição a desses heróis revolucionários, que não po­dem merecer encômios pelo seu feito, se­não à custa da declaração indecorosa de uma queda dos deveres do próprio estado sacerdotal”. “Frades secularizados como Abreu Lima e Miguelinho, simples diáconos como Alencar e o próprio padre Roma, que nem sequer se sabe ao certo se chegou realmen­te ao presbiterato, ou padres de verdade, certo é que a participação desses eclesiás­ticos, como tais, na revolução, não somen­te não apresenta nenhum aspecto grandio­so em que se mostrem eles a altura da mis­são que receberam, mas se cobre, não raro, de uma nódoa de irreverência e de ridícu­lo.” “Sendo certo que as revoluções costu­mam devorar os próprios instrumentos, é de crer-se que a maçonaria, a cujo aceno, vindo do estrangeiro, foi planejada e exe­cutada a revolução, não tardaria a alijar padres e frades, como inútil sobrecarga. Desses mesmos, aliás, não se poderia es­perar revelassem, quando triunfantes, mais nítido conceito da verdadeira religião do que o tinham mostrado na hora em que não duvidaram perpetrar o que estigmatiza e condena como um dos mais graves delitos: a insurreição à mão armada contra o poder legítimo, o derramamento de sangue pelas mãos ungidas daqueles que, na expressão de Pascal, somente o seu próprio sangue podem derramar.” “A Igreja, disse-o bem Massillon, não necessita de grandes nomes, mas de gran­des virtudes.” “Favorecido pelo regalismo opressor do padroado, ia-se o vírus maçônico alastran­do cada vez mais e comovendo o clero, como invisível chaga cancerosa, até um acontecimento imprevisto veio pôr a des­coberto toda a extensão da ferida, na cha­mada ‘Questão Religiosa’.” “É agora o mesmo espírito de indisciplina (do clero), caminhando, porém, em marcha natural contra a própria autori­dade da Igreja; é a leviandade, ao princí­pio, e logo após a desobediência formal de padre maçonizado a atear imprudentemen­te o rastilho de um incêndio que, por pou­co, não leva o País aos azares de uma guer­ra de religião ou à catástrofe de um cisma.” “Mas é também o início de uma reação rigorosa e cura completa. Pulso juvenilmen­te forte, um prelado de 27 anos, extirpa, sem receio, as profundas e extensas raízes da­quele mal, revigora o organismo combatido, saneia o ambiente e, à custa do próprio martírio, restitui ao clero a saúde, e a vida, e a consciência de sua missão espiritual.” “Coube assim a D. Vital de Oliveira res­taurar em Pernambuco, e, graças ao seu glo­rioso companheiro de lutas, D. Antônio de Macedo Costa, no país todo, os males de­correntes da heresia jansênico-galicana, que implantara Pombal e atuara entre nós, de modo inconfundível, durante tantos anos, em outras graves crises.” (E. Vilhena de Moraes, O Patriotismo e o Clero no Bra­sil,pp. 24-28.) A questão religiosa. Seria o lugar propício para tratar aqui da “questão religiosa” suscitada precisamente na diocese de Olinda pela maçonização do clero e, sobre­tudo das confrarias religiosas dominadas acintosamente pela maçonaria. Mas para maior clareza será convenien­te estudar primeiro a questão da história maçônica no Brasil. Fonte: BIBLIOT3CA REVISTA TEXTO & TEXTS EDITOR-CHEFE J.FILARDO. Acesso em https://bibliot3ca.wordpress.com/maconaria-no-brasil/

sexta-feira, 21 de abril de 2017

BIBLIOT3CA: Dentro do mundo sombrio dos maçons – Minisérie na TV inglesa.

Por NICOLE LAMPERT - The Daily Mail (Londres0. Tradução José Filardo. Pernas das calças arregaçadas, apertos de mão engraçados e uma grande sequência real - uma nova série de TV investiga os segredos dos Maçons Eles não montam bodes, mas precisam descobrir o peito e enrolar uma perna da calça. Eles não devem usar suas amizades para ganho ou carreira, mas eles têm um aperto de mão estranho. E eles não parecem estar se esforçando para dominar o mundo - eles estão ocupados demais decorando as falas de suas inúmeras cerimônias. Os maçons têm sido vistos por muito tempo como uma organização sombria, acusada de conspirar para dominar o mundo. A nova série mergulha no mundo sombrio da organização da Maçonaria. Na foto: O 'sinal do primeiro grau', conforme recriado no documentário de 1989 - Inside The Brotherhood. O pedigree de alguns Mestres Instalados - incluindo Winston Churchill, o Duque de Wellington, Lord Kitchener, os Reis Edward VII, Edward VIII e George VI, e o príncipe Philip, um maçom da Loja Navy há mais de 60 anos - levou inclusive a acusações de que eles têm mão de ferro sobre a Sociedade. Assim, um novo documentário sobre essa fraternidade enigmática é fascinante, mesmo que a verdade sobre os maçons seja bastante prosaica. Acontece que ela tem um pouco de um clube de jantar glorificado. 'A percepção do público sobre nós não é nem um pouco realista', diz Jonathan Spence. O antigo banqueiro é um dos três adjuntos do Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra, que por acaso é o primo da rainha, o duque de Kent, um maçom durante os últimos 50 anos. 'Nós temos pensado sobre confrontar os mitos por um longo tempo. Se mostrarmos como ela realmente é - por exemplo, temos um aperto de mão maçônico, mas é apenas para uso cerimonial - então as pessoas poderão nos entender um pouco mais' A Grande Loja celebra o seu 300º aniversário este ano, então a série de cinco episódios da Sky 1 surge em um momento oportuno.
O duque de Kent, que é o Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra. 'A Maçonaria tem tido uma política de maior abertura ao longo dos últimos 30 anos para tentar mostrar às pessoas o que realmente somos', diz Jonathan. 'E, como este é nosso tricentenário, pareceu-nos um bom momento para que as câmeras entrassem em cena.' A Maçonaria foi originalmente baseado nas guildas criadas por pedreiros no século 14. Muitas das tradições remontam a aqueles dias; o peito nú e a perna da calça enrolada, ambos parte da cerimônia de iniciação, eram destinados a provar que o recém-chegado era um homem saudável. Como os antigos pedreiros viajavam de emprego em emprego, os apertos de mão foram criados para reconhecer a experiência de um homem, com cada nível de qualificação do pedreiro usando um aperto de mão diferente. Luvas e aventais, que eram usados pelos pedreiros para a proteção, ainda são usados ​​hoje e se tornam mais decorados à medida que um Maçom sobe na hierarquia dentro da organização. O esquadro e o compasso, a colher de pedreiro, o nível e o prumo, ferramentas de que todo pedreiro necessita, são agora as insígnias dos maçons reconhecidas internacionalmente. Os princípios básicos dos maçons são que eles são todos iguais (e é por isso que eles chamam um ao outro de irmão) e que hoje, em vez de trabalhar com pedra, eles estão trabalhando a si mesmos para tornar 'melhores os homens bons'. À medida que eles trabalham mais em si mesmos, através do trabalho beneficente, por exemplo, eles sobem na hierarquia. Cada homem passa por três 'graus' separados durante o seu tempo na maçonaria - Aprendiz, Companheiro e Mestre - e pela primeira vez, alguns dos rituais, que acontecem em reuniões em lojas maçônicas em todo o país, foram filmados. 'As cerimônias espelham os princípios da Maçonaria que são amor fraterno, auxílio e verdade', diz Garry Hacking, um enfermeiro que trabalha com 50 mulheres e acha que os maçons lhe deram alguma companhia masculina muito necessária. 'A amizade é uma grande parte dela para mim, mas as cerimônias também são importantes. Elas são profundas'. Para se tornar um Maçom na Inglaterra, você pode preencher um formulário online ou ser recomendado por outro Maçom. Há seis milhões de membros em todo o mundo, sendo 200.000 na Inglaterra e País de Gales; as reuniões variam de duas vezes por semana a quatro vezes por ano, e os maçons podem ser membros de várias lojas, ou visitar novas lojas durante viagens. O pico do número de membros atingiu 300.000 após a Primeira Guerra Mundial quando homens ingressavam para recriar a fraternidade que tinham encontrado nas trincheiras. O grupo passou à clandestinidade na década de 30, quando foi alvo de fascistas e nazistas; até 200.000 maçons europeus morreram nos campos de concentração. 'Quando começamos a fazer essa série eu não entendia por que, no século 21, as pessoas quereriam ingressar em algo que tratava de apertos de mão e aventais e que era somente masculina', diz Emma Read, a produtora executiva da série. 'Eu me senti realmente anacrônica, assim estamos olhando para o que é sua relevância no século 21. Mas isso foi uma verdadeira revelação. Alguns estão lá pela tradição, mas para muitos trata-se de fazer novos amigos. É a mais antiga rede social do mundo'. Nós encontramos vários maçons na mini-série que revelam como a organização os ajudou a atravessar tempos difíceis, tais como a morte de um parceiro ou doença grave. 'A Maçonaria pode ser uma instituição tradicional, mas ela é também uma grande rede de apoio para homens e eu fiquei surpresa com isso', diz Emma, ​​que passou um ano pesquisando. 'Quando você tiver passando por momentos difíceis - emocional ou fisicamente - você tem um verdadeiro grupo de amigos a quem pode recorrer. Eu achei que o lançamento da série era uma força para o bem.' Inside The Freemasons começa em 17 de abril na Sky 1. Para mais informações sobre os maçons visite www.ugle.org.uk. origem: http://www.dailymail.co.uk/femail/article-4389870/New-delves-Freemasons-secrets.html . Fonte: https://bibliot3ca.wordpress.com/2017/04/17/dentro-do-mundo-sombrio-dos-macons-miniserie-na-tv-inglesa/#respond

sábado, 15 de abril de 2017

A (Verdadeira) Primeira Grande Loja - BIBLIOT3CA.

Pelo Ir.´. Henning A. Klövekorn. Tradução José Antonio de Souza Filardo M .´. I .´. Com a difusão do cristianismo por toda a Alemanha e a exigência de que bispos romanos erguessem catedrais, os colégios Maçônicos na Alemanha prosperaram. Geralmente designado como Steinmetzen ou Canteiros, estas fraternidades maçônicas levantaram igrejas e catedrais por toda a Europa continental. A sociedade de canteiros tinha dentro de si uma grande variedade de classes e ocupações. Estas incluíam Steinmaurer ou assentadores de pedras, Steinhauer ou cortadores de pedra, bem como Steinmetzen, uma palavra derivada de Stein ou pedra e Metzen, um derivado da palavra Metzel ou entalhador, uma arte mais detalhada e refinada que os cortadores de pedras. A construção de Bauhütten ou lojas situadas junto às igrejas em construção serviu como estúdio de projeto, local de trabalho e quarto de dormir.
Um dos mais antigos registros de lojas maçônicas se encontra na cidade alemã de Hirschau (agora Hirsau) no atual estado de Baden-Württenberg. As lojas Maçônicas instituídas na cidade de Hirschau no final do século 11 trabalhavam sob a ordem beneditina da Alemanha, e foram as primeiras a estabelecer o estilo gótico de arquitetura. As Armas dos Franco Maçons da Alemanha. Já em 1149, as primeiras Zünftes alemãs ou sindicatos de pedreiros se desenvolveram em Magdeburg, Würzburg, Speyer e Straßburg. Em 1250, a primeira Grande Loja dos Maçons formou-se na cidade de Colônia (Köln), [i] Alemanha. A Grande Loja foi formada como parte do imenso empreendimento para erguer a catedral de Colônia. O primeiro congresso maçônico ocorreu na cidade de Straßburg, na Alemanha no ano de 1275. Ela foi fundada pelo Grão Mestre Erwin von Steinbach. Este também foi o primeiro uso registrado do símbolo dos maçons, o compasso e o esquadro. Embora Straßburg fosse considerada a primeira Grande Loja de seu tempo, outras Grandes Lojas maçônicas já haviam sido fundadas em Viena, Berna e a acima mencionada de Colônia; estas foram chamadas Oberhütten ou grandes lojas. Diversos congressos maçônicos foram realizados na cidade de Straßburg, incluindo os anos 1498 e 1563. Nesta época, as primeiras Armas de Maçons registradas na Alemanha foram registradas representando quatro compassos posicionados em torno de um símbolo do sol pagão, e dispostos em forma de suástica ou roda solar ariana. As Armas Maçônicas da Alemanha também exibiam o nome de São João Evangelista, santo padroeiro dos maçons alemães. A Oberhütte (Grande Loja) de Colônia, e seu grão-mestre, era considerada a cabeça das lojas maçônicas de toda a Alemanha do norte. O grão-mestre da Straßburg, na época uma cidade alemã, era chefe de Lojas Maçônicas de todo sul da Alemanha, Francônia, Baviera, Hesse e as principais áreas da França. As Grandes Lojas de Maçons na Alemanha recebiam o apoio da Igreja e da Monarquia. O Imperador Maximiliano revisou o congresso maçônico de 1275 em Straßburg e proclamou a sua proteção ao ofício. Entre 1276 e 1281, Rudolf I de Habsburgo, um rei alemão, tornou-se membro da Bauhütte ou Loja de St. Stephan. O Rei Rudolf foi um dos primeiros não-operativos, também chamados membros livres ou especulativos de uma loja maçônica. Os estatutos dos maçons na Europa foram revisados em 1459 pela Assembléia de Ratisbonne (Regensburg), a sede da Dieta Alemã, cuja revisão preliminar tinha ocorrido em Straßburg sete anos antes [ii]. As revisões descreviam a exigência de testar irmãos estrangeiros antes de sua aceitação nas lojas através de um método de saudação estabelecido (aparentemente internacional ou europeu). A primeira assembléia geral de maçons na Europa ocorreu no ano de 1535, na cidade de Colônia, na Alemanha. Ali, o bispo de Colônia, Hermann V, reuniu 19 lojas maçônicas para estabelecer a Carta de Colônia, escrita em latim. As primeiras grandes lojas dos maçons estiveram presentes, o que era costume na época, e incluíam a Grande Loja de Colônia, Straßburg, Viena, Zurique e Magdeburg. A Grande Loja Mãe de Colônia, com o seu grande mestre era considerada a principal Grande Loja da Europa. Após a invenção da imprensa, os maçons (Steinmetzen) da Alemanha, reuniram-se em Ratisbona em 1464 e imprimiram as primeiras Regras e Estatutos da Fraternidade de Cortadores de Pedra de Straßburg (Ordnung der Steinmetzen). Estes regulamentos foram aprovados e sancionados pelos Imperadores sucessivos, tais como Carlos V e Ferdinando. O monge alemão Martinho Lutero e seu protesto contra as injustiças e hipocrisias da Igreja Católica em 1517 deram origem ao protestantismo. Isto liberalizou algumas das lojas maçônicas da época. A Catedral de Straßburg tornou-se Luterana em 1525 e muitas outras a seguiram. Em 1563, os Decretos e Artigos da Fraternidade de Canteiros foram renovados na Loja Mãe em Straßburg no dia de S. Miguel. Estes regulamentos demonstram três elos importantes com a Maçonaria moderna. Em primeiro lugar, os aprendizes eram chamados de “livres” na conclusão do serviço a seu Mestre, o que sem dúvida é a origem da palavra Freemason ou “franco-maçom”. Em segundo lugar, a natureza fraternal da loja era retratada em uma série de regulamentações, tais como o atendimento aos doentes, ou a prática de ensinar um irmão sem cobrar, nos termos do artigo 14. Em terceiro lugar, os maçons utilizavam um aperto de mão secreto como meio de identificação. Dois artigos do regulamento indicando estes pontos são: “Nenhum Mestre ensinará um companheiro por dinheiro. XIV. E nenhum artesão ou mestre aceitará dinheiro de um colega para mostrar ou ensinar-lhe qualquer coisa relacionada com maçonaria. Da mesma forma, nenhum vigilante ou companheiro mostrará ou instruirá qualquer um por dinheiro a talhar, conforme dito acima. Se, no entanto, alguém desejar instruir ou ensinar outro, ele pode muito bem fazê-lo, uma mão lavando a outra, ou por companheirismo, ou para assim servir ao seu mestre. LIV. Em primeiro lugar, cada aprendiz quando tiver servido o seu tempo, e for declarado livre, prometerá à ordem, pela verdade e sua honra, ao invés de juramento, sob pena de perder o seu direito à prática da maçonaria, que ele não divulgará ou comunicará o aperto de mão e a saudação de pedreiro a ninguém, exceto àquele a quem ele pode justamente comunicá-las, e também que ele não escreverá coisa alguma sobre isso” [iii]. As regras de Straßburg estipulavam que a entrada na Fraternidade era por livre vontade e indicava claramente os três graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre na fraternidade maçônica alemã. Elas exigiram que se fizesse um juramento e que os pedreiros se reunissem em grupos chamados ‘Kappitel’ (Capítulo). As regras instruíam os maçons não ensinar Maçonaria a não-maçons. Está claro que as lojas ou grandes lojas maçônicas alemãs existiam antes da formação da Grande Loja de Inglaterra em 1717. Assim como o uso de apertos de mão secretos, o uso do termo “livre” e sua aceitação de não-operativos. O uso de alegoria e simbolismo em camadas, que torna exclusivo o sistema maçônico fraternal, também era evidente nas lojas alemãs da época, conforme mostrado nas esculturas de pedra e estilos arquitetônicos das igrejas e mosteiros que eles construíram. A partir da página Web http://www.klovekorn.com: O 99º of Freemasonry apóia a teoria de que a semente da Maçonaria moderna, não estava ligada aos Cavaleiros Templários ou à maçonaria inglesa, mas originou-se com as instituições maçônicas da Alemanha, que por sua vez, tinham recebido os seus conhecimentos maçônicos de organizações maçônica mais antigas. Esta afirmação é suportada através de sete pontos principais de prova. Que o Manuscrito Régio, o mais antigo texto maçônico (reconhecido) sobrevivente na Grã-Bretanha, faz referência aos quatro mártires coroados, que estão inequivocamente relacionados com a lenda dos maçons sob o Sacro Império Romano de Nação Germânica, uma tradição maçônica que teve origem na Alemanha e não na Grã-Bretanha. A existência e o mais antigo uso registrado do esquadro e compasso ( sinal fraternal da Maçonaria) nas Armas dos Corpos Maçônicos Alemães. A existência de instituições maçônicas altamente organizadas (Steinmetzen) na Alemanha no século 13, tais como a Grande Loja (Oberhütte) de Straßburg e Köln, e diversas lojas maçônicas subordinadas, que não só trabalhavam em pedra, mas também incluíam ensinamentos alegóricos maçônicos dentro de suas guildas. A eleição de um Grão-Mestre dos Maçons no século 13 e a criação de graus de aprendizes, companheiros e mestres pedreiros na Alemanha no século 12 e anteriormente. O estabelecimento de Estatutos e Regras impressos da Ordem Maçônica na Alemanha antes da criação de estatutos maçônicos escritos na Grã-Bretanha. A inclusão de membros não-operativos (ou especulativos), tais como o Rei Rodolfo I em lojas maçônicas na Alemanha no século 13. A primeira exigência em grande escala registrada de que lojas maçônicas utilizassem um método secreto de saudação e de ‘aperto de mão’. O 99º of Freemasonry também analisa o uso do compasso e esquadro como símbolos alegóricos morais de maçonaria em obras de arte dentro da cultura alemã do período, mais uma prova da filosofia maçônica dentro da cultura alemã e da Europa continental neste período. Embora muitos maçons tenham sido condicionados a aceitar que as origens da Maçonaria partem da Inglaterra ou da Escócia, pois as grandes organizações maçônicas modernas atuais estão profundamente interligadas dentro desta área geográfica, o 99º of Freemasonry lança nova luz sobre a história maçônica, e insta, se não inspira os leitores a olhar para o continente europeu como a grande semente da Maçonaria. [I] Rebold, Emmanuel & Fletcher, Brennan J (Ed), História Geral da Maçonaria na Europa – com base em documentos antigos relativos a, e monumentos erguidos por esta fraternidade, desde a sua fundação no ano 715 aC até o presente momento, Cincinnati, publicado pela Geo. B Fessenden 1867, reimpressão por Kessinger Publishing EUA. [Ii] Naudon, Paul, A História Secreta da Maçonaria – Suas Origens e Conexões com os Cavaleiros Templários. EUA. Traduzido por Jon Graham. Inner Traditions, Rochester, Vermont, Copyright 1991 de Editions Dervey, Tradução para Inglês- copyright 2005 por Inner Traditions International. Originalmente publicado em francês sob o título “Les origins de la Franc-Maçonnerie, Le sacre le métier, Paris. ISBN 1-59477-028-X, pag 6. pag 174. [Iii] Gould, Robert Freke, A História da Maçonaria, suas antiguidades, símbolos,Constituições, Costumes, etc. Volume 1 T.C. & E. C. Jack, Grange Publishing Works, Edinburgh, pag. 122. Publicado originalmente em http://www.freemasons-freemasonry.com/freemasons_history_germany.html Fonte: BIBLIOT3CA REVISTA TEXTO & TEXTS EDITOR-CHEFE J.FILARDO. Acesso em https://bibliot3ca.wordpress.com/a-verdadeira-primeira-grande-loja/

domingo, 10 de julho de 2016

MAÇOM LÍDER EM SUA COMUNIDADE.

by José Filardo, Mestre Maçom. No ambiente das lojas existe muita cobrança, principalmente por parte dos maçons mais jovens que ingressam agora na Maçonaria, no sentido de que “a Maçonaria precisa ser mais atuante e agir para alterar o estado de coisas calamitoso da sociedade”. A falta de resposta, tanto conceitual quanto prática tem levado um contingente grande de neófitos a abandonar a Ordem diante de sua inação. A resposta padrão é que a Maçonaria nada faz, quem faz são os maçons. Naturalmente essa resposta é muitas vezes utilizadas como muleta por maçons que não estão dispostos a arregaçar as mangas e realizar alguma coisa além de ler ritual e comer pizza depois da sessão. Mas, ela é verdadeira na medida em que a instituição congrega um universo multifacetado de homens das mais diversas posições políticas, sociais e econômicas. Assim, sob pena de se fracionar ou criar rupturas fratricidas, a Maçonaria enquanto instituição deve se abster de interferir no curso dos acontecimentos. O que ela faz é criar condições para que seus membros possam discutir aspectos da sociedade, atingir consensos e valendo-se do amplo “networking” que a Ordem oferece, reunir recursos para, então, atuar em seu meio e modificar coisas, sempre de acordo com os princípios que norteiam a instituição a que pertencem. A Maçonaria, por sua vez, ajusta-se ao ambiente político e social do país onde está organizada. Dessa forma, temos a Maçonaria Britânica que está a serviço do Establishment, na forma de um braço do poder monárquico. A Maçonaria Francesa arvorou-se em defensora da República secular e visa proteger a França de interferências que possam deturpar os valores republicanos. No Brasil, infelizmente, ela se perdeu em lutas intestinas e cismas que a fracionaram e que a paralisam irremediavelmente. E nesse vácuo ideológico medram comportamentos e atitudes extremamente lesivos à imagem da Ordem, cerrando fileiras com ideologias espúrias, reacionárias, retrógradas e antipatrióticas. Uma instituição que criou a República e que sempre louva a Justiça e a Democracia, colocou-se como força apoiadora de um golpe de estado que derrubou um governo democraticamente eleito e emprestou seu apoio a um judiciário golpista que cometeu injustiças no atacado e no varejo. Além do mais, a falta de comando unificado e de conteúdo ideológico conduz seus membros a comportamentos entrópicos, voltados unicamente para a vida em loja, para o exercício do ritual como um fim e não como meio de praticar algo mais importante, qual moldar o mundo à sua imagem e semelhança. Isso posto, os maçons que ainda não se esclerosaram, que ainda não foram acometidos da paralisia que invadiu a Maçonaria querem ver alguma ação. Querem grãos-mestres proativos, executivos, que não fiquem apenas recebendo comendas, medalhas e homenagens, mas que realmente inspirem o “povo maçônico” a arregaçar as mandas e partir para o trabalho. E como podem os maçons atuar na sociedade? Tudo depende do poder temporal de que cada um dispõe, de sua posição no arcabouço da sociedade e de sua disposição e desprendimento. Mas, por menos poder e posição que cada um tem, a união faz a força. Cada maçom tem o dever de assumir uma posição de liderança em sua comunidade. Ponto final. Não há “veja bem…”, ou qualquer raciocínio que afaste esse imperativo categórico. Em sua igreja (se for religioso), sua APM, em seu sindicado, em seu clube, em seu condomínio, seu partido político, em sua cidade, estado e país. Nas cidades maiores, onde existem bairros, um canal efetivo são as “Sociedades Amigos de Bairro”, onde se pode realizar um trabalho eficiente de encaminhamento de problemas às autoridades encarregadas de resolvê-los. Segurança é o item mais importante em todas as comunidades. O maçom precisa participar dos organismos de interface com as autoridades de segurança pública, como os Consegs, por exemplo. Também no quesito segurança, começa a se popularizar uma ferramenta muito interessante que é alavancada por ferramentas de redes sociais como WhatsApp, Skype e outras: os programas Vizinho Solidário, onde são criados grupos interligados que se comunicam em situações de emergência ou preventivamente para afastar perigos localizados.
Não é fácil, é verdade. Eu mesmo venho tentando alavancar um esquema desse tipo em nosso bairro e esbarramos com a atitude típica do paulistano: arredio, misógino, avesso ao contato humano. Tentamos organizar a ASSOVIO- ASSOCIAÇÃO DE VIZINHOS ORGANIZADOS (o projeto pode ser visto em http://www.assovio.wordpress.com ) cujo projeto está patinando por falta de apoio. Mas, voltaremos a insistir em sua implementação, agora que surgiu apoio em forma de uma empresa de eventos, a quem interessa ter um parceiro no bairro. Estamos muito otimistas. Sonhar não custa nada, e podemos sonhar que um dia os maçons comandarão centenas de ASSOVIOS no território nacional, realizando uma parte daquilo que se espera da Maçonaria. Fonte: Acesso em https://bibliot3ca.wordpress.com/2016/07/04/macom-lider-em-sua-comunidade/

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Livros Maçônicos

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